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And the Oscar goes to… (Melhor Filme)

02/02/2009

Pois é! Estamos chegando na temporada de avant premières, de grandes orçamentos cinematográficos e de filmes cult (ou não). É o Oscar, e nós adoramos!

No tapete vermelho desse ano, atores e atrizes de peso (como sempre) disputam a atenção da Academia para o tão cobiçado homenzinho de ouro. O Oscar talvez seja o prêmio máximo do cinema americano, e não é à toa que os estúdios, os atores e os diretores praticamente de comem vivos nessa disputa.

A lista é muito grande, e, por isso, vou me resumir a dar uma de José Wilker ou Rubens Ewald Filho e dar pitaco no que eu acho dos concorrentes a melhor filme desse ano.

E os concorrentes são… (por ordem alfabética do título em português):

1º Curioso Caso de Benjamin Button, O (Fox Searchlight)

2º Frost/Nixon (Universal Pictures)

3º Leitor, O (Weinstein Corporation)

4º Milk – A Voz da Igualdade (Focus Features)

5º Quem Quer Ser Milionário? (Fox Searchlight)

Vamos aos filmes:

1º O Curioso Caso de Benjamin Button

O primeiro filme da lista, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, encabeçando em seu elenco principal Brad Pitt e Cate Blanchette, dois atores de peso, vem com um enredo no mínimo estranho: Benjamin Button é um homem que nasceu como um velho e, à medida que o tempo passa, rejuvenesce.

A narrativa pode parecer estranha, e o filme, beirando as três horas de projeção, pode assustar. Mas ele funciona. Funciona perfeitamente. É um filme agradável que, se não tivesse essa narrativa estranha, seria apenas mais um de amor. Mas talvez o enredo o torne diferente. Além, é claro, de uma qualidade técnica surpreendente, tanto na maquiagem quanto no figurino e na adaptação dos cenários para um filme que começa nos anos 20.

Benjamin Button talvez abocanhe muitos prêmios técnicos, mas tenho minha dúvidas quanto às categorias principais. Talvez ganhe a estatueta de melhor filme por todo seu primor e a soma de suas qualidades. Mas, pessoalmente falando, não é meu favorito.

2º Frost/Nixon

O segundo filme, Frost/Nixon, é baseado em uma história real, e conta o que aconteceu nos bastidores da lendária entrevista que David Frost fez à Richar Nixon, algum tempo após a renúncia do presidente norte-americano. Entrevista lendária que eu, até o momento do filme, não fazia ideia que existia xP O filme é bem tenso em algumas horas, e uma boa diversão. Acho que, dentre os concorrentes a estatueta de melhor filme, é o mais fraco (e mais fraco, para o Oscar, é no mínimo ótimo). Apesar de ótimas atuações (principalmente de Frank Languella, na pele de Richard Nixon) é pouco provável que o filme ganhe o Oscar de melhor filme.

3º O Leitor

O Leitor é o terceiro indicado. Um filme que surpreendeu ao ser indicado a Oscar de melhor filme, e que me surpreendeu quanto a sua qualidade. Depois de abocanhar o Globo de Ouro de melhor atriz, Kate Winslet tenta uma dobradinha com o filme. E, se ganhar, será muito merecido. Acho que só assim pra ela compensar aquele Oscar perdido com Titanic, hein?! Mas, brincadeiras a parte, voltemos ao filme. A história se passa em forma das lembranças que Michael, o personagem principal (interpretado por Ralph Fiennes) têm dos momentos de sua adolescência, quando conheceu Hanna (Kate Winslet), e que acabam ajudando a moldar o presente dele. Eles se conhecem em uma circunstância estranha, quando Michael, sofrendo de um princípio de escarlatina, vomita na esquina do prédio onde Hanna mora. Ela cuida dele por aquele dia, dando-lhe um banho. Depois, já curado de sua doença, o rapaz volta para casa da mulher, e os dois passam a terem relações sexuais cada vez mais intensas.

Mas o nome do filme não é “O Leitor” à toa: depois que já partilham intimidade suficiente, Hanna pede, todas as vezes antes da transa, que Michael leia um pouco para ele. Já daí, é possível notar que a personagem é analfabeta (o que, em momento nenhum do filme, fica explícito, mas é alta e facilmente presumível). Esse analfabetismo é a força motriz para todo o desenrolar da trama, que é altamente envolvente e comovente.

O filme pode sim ganhar o Oscar. Tem tudo o que Hollywood gosta: sexo, uma história de drama bem dosada, personagens cativantes e verossímeis e mais um pouco de sexo. Prato cheio x)

4º Milk – A Voz da Igualdade

“Milk – A Voz da Igualdade” trata de uma história também real, e muito mais impactante: conta a história de Harvey Milk, gay assumido e defensor ferrenho da causa, que, nos anos 70, conquistou o direito de ter um cargo público, mesmo em sua situação de homossexual (naquele tempo, ele foi o primeiro).

O filme é uma produção com atores conhecidos, mas não de tão grande peso. Sean Penn realmente guia todo o filme, fazendo certo como em uma cinebiografia que se preze. Um dos grandes favoritos para melhor ator, mas não vamos entrar nesse mérito e nos ater ao filme. A história dele é puramente biográfica (é claro, com alguns retoques romanescos inerentes a qualquer filme que queira abocanhar público e crítica), e conta uma história de luta de uma minoria por direitos em uma época em que gays eram ainda mais mal vistos do que atualmente. Ele tem uma produção belíssima, com muitas cenas externas (impressionando nas marchas, principalmente, onde deveriam contar com um elenco de apoio gigantesco) e o carisma de Sean Penn. Mas, para mim, assim como Frost/Nixon, é fraco, e não acho que vá ganhar.

5º Quem Quer Ser Um Milionário?

E por último (e não menos importante), vêm o “Quem Quer Ser Milionário?”, dirigido por Danny Boyle e encabeçado por atores jovens e praticamente desconhecidos no ocidente. O filme abocanhou TODAS as categorias principais em que concorreu no Globo de Ouro, e com muito merecimento. A história gira em torno de Jamal Malik, um auxiliar de atendentes de telemarketing que surpreendentemente chega à última pergunta do famoso game televisivo “Who Whants To Be A Millionaire?”. Desconfiados, os produtores do programa começam a torturar e perguntar a Jamal como ele conseguiu chegar a última pergunta, uma vez que não tinha instrução ou escolaridade alguma. E, entremeado com lembranças do personagem, ele conta como sabia todas as respostas.

O filme é, realmente, meu favorito. Com todo o oba-oba de Glória Perez com “Caminho das Índias”, o filme talvez faça o sucesso devido aqui no Brasil. A fusão de Hollywood e Bollywood realmente deu certo. A história do filme é altamente cativante: divertida quando tem que ser, triste quando tem que ser. Funciona muito bem. O passado de Jamal, nas favelas da Índia, é retratado com maestria pelas câmeras de Boyle. Particularmente, é meu favorito à estatueta de Melhor Filme.

Apostas estão feitas! E que venha o Oscar!

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Dica de Leitura: O Amuleto de Samarkand – Jonathan Stroud

31/12/2008

Venho hoje para dar a dica de um livro surpreendentemente bom. No momento em que vi a sinopse, fiquei um pouco receoso – são poucos os livros de fantasia que realmente me chamam a atenção e que não caem nos velhos clichês tolkenianos – mas, assim que comecei a lê-lo, percebi que tinha em minhas mãos uma preciosidade. Trata-se do primeiro livro da Trilogia Bartimaeus (não se preocupe, o fato dos livros comporem uma trilogia não afetam em nada sua originalidade). Ainda estou finalizando a leitura do primeiro, que se mostrou completamente agradável em todo o seu andamento.

No primeiro livro, “O Amuleto de Samarkand”, somos, logo a princípio, apresentados aos nossos personagens principais: o jovem Nathaniel, um aprendiz de mago, e o demônio por ele evocado, Bartimaeus. O livro intercala passagens em primeira pessoa – onde Bartimaeus narra os acontecimentos – e terceira pessoa, tornando a dinâmica descritiva ainda mais rica. Mas voltemos à sinopse: após evocar o demônio, Nathaniel ordena que ele vá até a casa de um mago chamado Simon Lovelace e lhe roube o amuleto de Samarkand. Tudo bem, até aí nada de difícil. Mas o que Nathaniel não sabe é que, por trás desse amuleto, há uma série de acontecimentos no mínimo estranhos, envolvendo a alta cúpula dos magos e do próprio governo da Inglaterra.

A partir daí, somos apresentados a um mundo completamente novo, onde magos e comuns vivem em paz e onde demônios – ou djinni, como preferem ser chamados – são a fonte de poder de qualquer feiticeiro. Onde revelar seu nome verdadeiro pode ser fatal e onde uma vírgula pode fazer com que uma ordem seja desastrosa. É assim que Jonathan Stroud pinta essa nova Londres, de uma forma apaixonante e maravilhosamente cativante. Bartimaeus, o demônio principal de toda a história, é talvez o personagem melhor construído dentro da trama. Seus comentários sempre ácidos – em formato de notas de rodapé – dão o tom de graça essencial e primordial a narrativa.

Os outros livros, “O Olho do Golem” e “O Portão de Ptolomeu” também já foram lançados nos EUA. No Brasil, se não me engano, apenas “O Amuleto de Samarkand” e “O Olho do Golem” foram publicados, ambos pela editora José Olympio.

O Amuleto de Samarkand (Ed. José Olympio)

O Amuleto de Samarkand (Ed. José Olympio)

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