E 2008 está no fim, mas não quer dizer que foi um ano como outro qualquer. Na verdade, nunca é igual, nós é que somos chatos demais para admitir que as mudanças estão aí. Mas não estou aqui pra falar de mudanças ou de ano novo. Vim aqui falar de música. Isso mesmo, música! O que seria de nós, pobres e entediantes mortais, sem música? Aqui vão os álbuns que, a meu ver, foram os melhores que ouvi lançados em 2008. Sei que há inúmeros outros, mas não posso dizer nada sobre os que não ouvi.
The Ting Tings – We Started Nothing

Surpreendentemente dançante, cheio de batidas eletrônicas viciantes e com refrões chicletes que vez ou outra eu me pego cantarolando, esse CD foi, sem dúvidas, uma das grandes revelações do ano de 2008. A banda, formada por uma dupla (Katie Whites e Jules De Martino), surpreende nesse CD com as batidas e as melodias. Quanto às letras, essas não dizem nada com nada, e até hoje eu não consegui interpretar nem uma sequer.
Slipknot – All Hope Is Gone

Não posso dizer que sou o maior fã de metal desse planeta – na verdade, faz tempo que não parava para ouvir nada do estilo. Ouvi esse CD do Slipknot como num gesto saudosista. Como muitos, tive uma fase metaleira-obscura, que não durou muito, mas que foi suficiente para conhecer grandes bandas. Hoje, apesar de não ouvi-las mais, continuo admirando o trabalho delas. E o Slipknot é uma dessas bandas. Quando peguei o disco para ouvir, fui sem nenhuma esperança de gostar; a primeira música (“.execute.”) não dizia muita coisa, e a segunda (“Gematria”) foi um pouco agressiva aos meus ouvidos desacostumados ao metal. Mas, a medida que o disco progredia, percebi que o trabalho da banda também progrediu. Músicas como a própria “Gematria”, “Psycosocial” e “Butcher’s Hook” fazem lembrar o Slipknot das antigas, com solos pesados e a voz – surpreendentemente boa – de Corey Taylor. Já músicas como “Dead Memories”, “Snuff” e “Child Of Burning Time” fazem a gente ver que, apesar de soar diferente das outras músicas, elas não perdem a identidade.
Alguns criticaram o disco, dizendo ser comercial demais. Afinal, se não for comercial, como vender? Acho que esse disco está muito bem dosado: bom para aqueles curiosos que não conhecem o trabalho da banda, e bom também para os fãs das antigas. Enfim, Slipknot para todos os gostos.
Secondhand Serenade – A Twist In My Story

Essa one-man band não é muito conhecida do grande público, mas é uma das minhas preferidas no estilo ‘melancholic and acoustic’. O primeiro CD, “Awake”, completamente acústico, mostrou um trabalho seco e emocionante de John Vesely, e logo se tornou um sucesso entre os que ouviam. Foi um trabalho, ao meu ver, despretensioso, posso dizer até mesmo mal-acabado, no sentido de pouca produção e propaganda. Mas então chegou 2008, e todos ansiosos pelo disco novo, se perguntando se seria tão bom quando o anterior. E quando ele chega, bela surpresa!, sim, é ótimo. Visivelmente mais produzido que o antecessor, “A Twist In My Story” tem uma pegada muito menos acústica que o primeiro, sem, contudo, deixar de lado a sonoridade característica. Há algumas releituras de músicas antigas (“Maybe”, “Your Call” e “Stay Close, Don’t Go”), mas a maioria do CD é de inéditas. É daqueles discos para ouvir de olhos fechados, pensando na vida e delirando nos vocais do Vesely.
Pink – Funhouse

Pink é uma das cantoras mais divertidas que eu conheço. Seus clipes são sempre muito satíricos e suas letras são sempre recheadas de ironia e muito bom humor. E com “Funhouse” não podia ser diferente. Logo na primeira música, “So What”, nos vemos frente a frente com mais mais um daqueles singles divertidíssimos que só ela sabe fazer. Mas, em contrapartida, temos músicas muito bonitas e ouso dizer até mesmo menos superficiais. É o caso de “Sober”, “Crystal Ball” e “Please Don’t Leave Me”. Apesar de engraçada, Pink sabe cantar como gente grande. Ela já deixou bem claro que pode ser uma cantora acima das expectativas com o single “Dear Mr. President”, do seu antecessor “I’m Not Dead”. E com esse CD ela só prova o que todo mundo já sabia.
O Teatro Mágico – Segundo Ato

Tenho que confessar uma coisa: não via a hora desse CD sair. Conheço o Teatro Mágico há pouco tempo, mas foi tempo suficiente para me apaixonar pela voz do Fernando Anitelli e por suas composições, por vezes confusas, mas sempre com uma mensagem legal. E quando o “Segundo Ato” chegou, fui às presas baixar as músicas na Trama Virtual. O CD começa como o primeiro, com toda aquela atmosfera circense característica da trupe, e vai evoluindo com uma grande facilidade. Nesse CD, Fernando Anitelli explora as mazelas da sociedade (com os excelentes “Cidadão de Papelão” e “Xanéu Nº 5”), mistura ritmos (quem iria imaginar que eles cantariam sambagode em “Eu Não Sou Chico Mas Quero Tentar”?), fala de sentimentos (“Pena” e “O Sonho de Uma Flauta”) e versa sobre insetos (“Os Insetos Interiores”). Enfim, só ouvindo para saber.
Katy Perry – One Of The Boys

Katy Perry não é para ser levada a sério. Pelo menos foi isso o que pensei quando ouvi “I Kissed A Girl”. Acho que muita gente pensou assim quando ouviu essa música. Mas, quando baixei o CD, me surpreendi com a voz dela. Não só com a voz, mas com as músicas em si, com letras despretensiosas e ritmos bastante divertidos. É verdade que a primeira música do disco (“One Of The Boys”) não é lá a mais adequada para se colocar logo no início. Ela não é simpática, e pode até mesmo afastar os menos pacientes. Mas músicas como as divertidíssimas “Ur So Gay”, “Hot ‘n Cold” e “Waking Up In Vegas” são o que transformam o CD numa experiência agradável. Músicas que exploram mais a voz da Katy são os verdadeiros destaques, ao menos para mim. São elas “Thinking Of You”, “Lost” e “Self Inflicted”. Ouçam!
Eli “Paperboy” Reed & The True Loves – Roll With You

E que grande surpresa foi essa! Eli Reed não deve ser conhecido por praticamente ninguém, é verdade, mas esse cara é do caralho! Sem sacanagem nenhuma, esse foi um dos discos que mais me impressionaram esse ano. A voz de Reed é sensacional, e ele deixa bem claro em músicas como “Am I Wasting My Time?” e “(Doin’ The) Boom Boom”. Pra quem não o conhece, digo que vale 100% a pena procurar ao menos uma música dele. De resto, deixo com o próprio Reed. O jazz/soul e a voz dele conquistam a primeira vista. Ou primeira audição, fale como bem entender.
Duffy – Rockferry

De início, você vai pensar: nós já temos Amy Winehouse! Não precisamos de uma loira genérica com nome de cerveja dos Simpsons! É, eu pensei mais ou menos assim quando descobri que “Mercy” não era uma b-side da Amy Winehouse e que a música era cantada por uma mulher chamada Duffy. Mas curioso que sou, resolvi ouvir o disco. As músicas ficaram mofando no meu computador, e eu ouvindo só “Mercy”. Então decidi ouvir a todas as músicas. E pronto: naquele momento, fiquei convencido de que não havia gostado nem um pouco do CD. Mas como assim?! Então por que você está aqui destacando-a como um dos discos preferidos do ano? Pois é, ele é um dos meus discos preferidos do ano. Com a Duffy foi assim: não daqueles amores platônicos a primeira vista. Ela veio comendo as beiradas e me conquistou aos poucos, sabe? Então ouvi o disco uma, duas, três vezes, e então descobri que as músicas eram realmente boas! O disco é um pouco maçante – tem uma excessividade de músicas lentas e poucos ritmos como os de “Mercy” – mas a mulher tem seus méritos. A voz dela em músicas como “Rockferry”, “Warwick Avenue” e “I’m Scared” dão arrepios e fazem a gente viajar pelas ondas sonoras. Mas com certeza “Mercy” é a mais simpática e cativante do CD.
Coldplay – Viva La Vida

Não gosto do Coldplay; e adoro o Coldplay. Sim, tenho uma interminável relação de amor e ódio com essa banda. Nunca iria em um show deles. Não gosto das atitudes e das colocações do Chris Martin, acho ele um arrogante de meia tigela. Mas tenho que admitir que o Viva La Vida é uma das grandes sensações do ano. A sonoridade do CD é perfeita em vários aspectos, e a voz dele está boa como nunca. Não é a toa que “Viva La Vida” é uma das faixas mais ouvidas do ano. Ela tem uma melodia muito bem colocada, uma letra legal e um refrão bem chicletinho (apesar do inevitável embromation em algumas frases). Outras faixas que me chamam a atenção são “Violet Hill”, “Lost!”, “Cemeteries Of London” e “42”. Um disco meio sem pé nem cabeça, é bem certo dizer (uma banda inglesa, título em espanhol, capa inspirada em Revolução Francesa), mas ainda assim muito legal.
Cansei de Ser Sexy – Donkey

Com todo o sucesso estrondoso no exterior, o Cansei de Ser Sexy (ou CSS, para os íntimos) mais uma vez nos brinda com um disco muito dançante e divertido. Ele é visivelmente inferior ao seu antecessor, mas ainda assim tem seus méritos. Faixas, como sempre, com letras um tanto quando, er…, excêntricas, e batidas extremamente contagiantes, o disco é parecido com o ‘Ting Tings’ no que diz respeito às letras das quais não consigo interpretar e à musicalidade divertida. A primeira faixa “Jager Yoda” (o que diabos é Jaguer Yoda, por falar nisso?) abre o CD com chave de ouro, e outras, como “Rat Is Dead (Rage)”, “Let’s Reggae All Night” e “Beautiful Song” mostram porque ele deve ser ouvido, mesmo que não seja compreendido.
Alice Cooper – Along Came A Spider

Sempre tive medo do Alice Cooper. Sei lá, ele tem cara de tiozão louco e macabro, e nunca me dei ao trabalho de ouvir nenhum disco dele (na verdade, a única música que ouvi dele foi “School’s Out”, e ainda assim por causa do Guitar Hero III), mas eis que vejo uma crítica elogiando com muita ênfase o disco novo dele. Resolvi tirar minhas próprias conclusões. E não é que o tal crítico estava certo?! O CD, conceitual, conta a história de Spider, um serial killer. É, um tema soturno, como todos os do Cooper, mas isso não torna o CD menos prestigiado. As letras são muito boas e os arranjos são crus e bem produzidos, tirando que a voz dele está ótima. Pra quem lança o 25º disco, isso é um grande mérito. Não ouvi nenhum outro disco do Alice Cooper, então não posso compará-lo com os outros. Mas posso falar que esse é um dos melhores do ano, sem sombras de dúvida. As guitarras de “Prologue/I Know Who You Are” são belíssimas; o refrão de “Catch Me If You Can” é completamente viciante. Não vou citar destaques, porque esse é um daqueles CD’s onde todas as músicas, sem exceção, são ótimas.
—-
E que venha 2009!