h1

And the Oscar goes to… (Melhor Filme)

02/02/2009

Pois é! Estamos chegando na temporada de avant premières, de grandes orçamentos cinematográficos e de filmes cult (ou não). É o Oscar, e nós adoramos!

No tapete vermelho desse ano, atores e atrizes de peso (como sempre) disputam a atenção da Academia para o tão cobiçado homenzinho de ouro. O Oscar talvez seja o prêmio máximo do cinema americano, e não é à toa que os estúdios, os atores e os diretores praticamente de comem vivos nessa disputa.

A lista é muito grande, e, por isso, vou me resumir a dar uma de José Wilker ou Rubens Ewald Filho e dar pitaco no que eu acho dos concorrentes a melhor filme desse ano.

E os concorrentes são… (por ordem alfabética do título em português):

1º Curioso Caso de Benjamin Button, O (Fox Searchlight)

2º Frost/Nixon (Universal Pictures)

3º Leitor, O (Weinstein Corporation)

4º Milk – A Voz da Igualdade (Focus Features)

5º Quem Quer Ser Milionário? (Fox Searchlight)

Vamos aos filmes:

1º O Curioso Caso de Benjamin Button

O primeiro filme da lista, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, encabeçando em seu elenco principal Brad Pitt e Cate Blanchette, dois atores de peso, vem com um enredo no mínimo estranho: Benjamin Button é um homem que nasceu como um velho e, à medida que o tempo passa, rejuvenesce.

A narrativa pode parecer estranha, e o filme, beirando as três horas de projeção, pode assustar. Mas ele funciona. Funciona perfeitamente. É um filme agradável que, se não tivesse essa narrativa estranha, seria apenas mais um de amor. Mas talvez o enredo o torne diferente. Além, é claro, de uma qualidade técnica surpreendente, tanto na maquiagem quanto no figurino e na adaptação dos cenários para um filme que começa nos anos 20.

Benjamin Button talvez abocanhe muitos prêmios técnicos, mas tenho minha dúvidas quanto às categorias principais. Talvez ganhe a estatueta de melhor filme por todo seu primor e a soma de suas qualidades. Mas, pessoalmente falando, não é meu favorito.

2º Frost/Nixon

O segundo filme, Frost/Nixon, é baseado em uma história real, e conta o que aconteceu nos bastidores da lendária entrevista que David Frost fez à Richar Nixon, algum tempo após a renúncia do presidente norte-americano. Entrevista lendária que eu, até o momento do filme, não fazia ideia que existia xP O filme é bem tenso em algumas horas, e uma boa diversão. Acho que, dentre os concorrentes a estatueta de melhor filme, é o mais fraco (e mais fraco, para o Oscar, é no mínimo ótimo). Apesar de ótimas atuações (principalmente de Frank Languella, na pele de Richard Nixon) é pouco provável que o filme ganhe o Oscar de melhor filme.

3º O Leitor

O Leitor é o terceiro indicado. Um filme que surpreendeu ao ser indicado a Oscar de melhor filme, e que me surpreendeu quanto a sua qualidade. Depois de abocanhar o Globo de Ouro de melhor atriz, Kate Winslet tenta uma dobradinha com o filme. E, se ganhar, será muito merecido. Acho que só assim pra ela compensar aquele Oscar perdido com Titanic, hein?! Mas, brincadeiras a parte, voltemos ao filme. A história se passa em forma das lembranças que Michael, o personagem principal (interpretado por Ralph Fiennes) têm dos momentos de sua adolescência, quando conheceu Hanna (Kate Winslet), e que acabam ajudando a moldar o presente dele. Eles se conhecem em uma circunstância estranha, quando Michael, sofrendo de um princípio de escarlatina, vomita na esquina do prédio onde Hanna mora. Ela cuida dele por aquele dia, dando-lhe um banho. Depois, já curado de sua doença, o rapaz volta para casa da mulher, e os dois passam a terem relações sexuais cada vez mais intensas.

Mas o nome do filme não é “O Leitor” à toa: depois que já partilham intimidade suficiente, Hanna pede, todas as vezes antes da transa, que Michael leia um pouco para ele. Já daí, é possível notar que a personagem é analfabeta (o que, em momento nenhum do filme, fica explícito, mas é alta e facilmente presumível). Esse analfabetismo é a força motriz para todo o desenrolar da trama, que é altamente envolvente e comovente.

O filme pode sim ganhar o Oscar. Tem tudo o que Hollywood gosta: sexo, uma história de drama bem dosada, personagens cativantes e verossímeis e mais um pouco de sexo. Prato cheio x)

4º Milk – A Voz da Igualdade

“Milk – A Voz da Igualdade” trata de uma história também real, e muito mais impactante: conta a história de Harvey Milk, gay assumido e defensor ferrenho da causa, que, nos anos 70, conquistou o direito de ter um cargo público, mesmo em sua situação de homossexual (naquele tempo, ele foi o primeiro).

O filme é uma produção com atores conhecidos, mas não de tão grande peso. Sean Penn realmente guia todo o filme, fazendo certo como em uma cinebiografia que se preze. Um dos grandes favoritos para melhor ator, mas não vamos entrar nesse mérito e nos ater ao filme. A história dele é puramente biográfica (é claro, com alguns retoques romanescos inerentes a qualquer filme que queira abocanhar público e crítica), e conta uma história de luta de uma minoria por direitos em uma época em que gays eram ainda mais mal vistos do que atualmente. Ele tem uma produção belíssima, com muitas cenas externas (impressionando nas marchas, principalmente, onde deveriam contar com um elenco de apoio gigantesco) e o carisma de Sean Penn. Mas, para mim, assim como Frost/Nixon, é fraco, e não acho que vá ganhar.

5º Quem Quer Ser Um Milionário?

E por último (e não menos importante), vêm o “Quem Quer Ser Milionário?”, dirigido por Danny Boyle e encabeçado por atores jovens e praticamente desconhecidos no ocidente. O filme abocanhou TODAS as categorias principais em que concorreu no Globo de Ouro, e com muito merecimento. A história gira em torno de Jamal Malik, um auxiliar de atendentes de telemarketing que surpreendentemente chega à última pergunta do famoso game televisivo “Who Whants To Be A Millionaire?”. Desconfiados, os produtores do programa começam a torturar e perguntar a Jamal como ele conseguiu chegar a última pergunta, uma vez que não tinha instrução ou escolaridade alguma. E, entremeado com lembranças do personagem, ele conta como sabia todas as respostas.

O filme é, realmente, meu favorito. Com todo o oba-oba de Glória Perez com “Caminho das Índias”, o filme talvez faça o sucesso devido aqui no Brasil. A fusão de Hollywood e Bollywood realmente deu certo. A história do filme é altamente cativante: divertida quando tem que ser, triste quando tem que ser. Funciona muito bem. O passado de Jamal, nas favelas da Índia, é retratado com maestria pelas câmeras de Boyle. Particularmente, é meu favorito à estatueta de Melhor Filme.

Apostas estão feitas! E que venha o Oscar!

h1

04/01/2009

Isso é mais um desabafo do que um conto em si. Algumas vezes acho que não fui nem mesmo eu quem escrevi algumas coisas, e essa está entre elas. Espero que gostem:

—————————————–

QUANDO UM ENTERRO ACONTECE, É normal que a tristeza impregne o ambiente como o cheiro de fumaça impregna numa roupa. É horrível a sensação que se sente: a falta do que falar, e não passar de um simples ‘meus pêsames’; a forma como olhar para os mais próximos do morto. Todos tristes, óculos escuros cobrindo a vermelhidão dos olhos, lágrimas escorrendo, e você lá, sentado num canto, observando passivamente o corpo dentro do caixão aberto. Os olhos da morta fechados, a pele cinzenta e as pétalas de flores, que tentam dar alguma cor ao ambiente pesado. Mas não adianta. Chegam a ser engraçadas, as flores.

Era em meio a essa situação que me encontrava: sentado em um banco de pedra, analisando friamente toda a situação, um nó na garganta, tentando compreender porque aquilo aconteceu tão de repente. Tento olhar para toda a extensão do cemitério. Tento admirar aquela grama muito verde, toda aquela calma, todo o silêncio – intercalado pelos gemidos e pelas orações de todos os parentes de todos os corpos que estão sendo velados naquele momento -, mas não consigo. Não consigo sequer pensar em algo. É como se estivesse dormindo, preso em um sonho estranho, psicodélico. Parece que vejo tudo o que está acontecendo, mas não participo. É como se aquilo não passasse de uma imagem distorcida, de uma cena de um filme. Não tinha importância. Não mesmo. Estava calado, havia um cadáver em um caixão, havia pessoas chorando por aquela morta, pessoas desesperadas, que gritavam “POR QUÊ?” aos céus e culpavam Deus por não a ter protegido como um bom pai protege seus filhos. Pessoas de cabeças baixas, chorando copiosamente, e eu não me importava com nada. Não me importava com a dor dos outros, nem com a morte, nem com o cemitério.

Mas tinha aquele nó atado em minha garganta, aquele incômodo que me fazia perceber que meu coração não era tão frio, no fim das contas.

Lembro que olhei para o caixão vez ou outra, sem muito interesse. E o tempo todo lá estava ele, ajoelhado em frente ao caixão, as mãos postas, os óculos escuros no rosto, a cabeça baixa. Não conhecia muito bem a família – era amigo de um amigo da morta –, mas sabia que aquele era o filho da morta. Não devia ter sequer dezoito anos, era alto, magrelo, cabelos vermelhos e a barba rala e tímida começando a crescer. O garoto estava com uma calça jeans desbotada e uma camisa preta, me lembro perfeitamente bem. Parecia estar anestesiado, em choque, ajoelhado naquela posição. Ficou lá por muito tempo, tempo demais para se contar, e ninguém ousava chegar perto. Ninguém ousava tocá-lo, porque ninguém sabia o que falar. O nó na minha garganta se apertou ainda mais quando tentei me colocar no lugar dele. Afinal, o que eu esperaria ouvir num momento como aquele? “Meus pêsames”?

Quando o furgão chegou para levar o corpo até a cova, o garoto finalmente se levantou. Estava chovendo, e os passos de todos dentro da sala de velório havia molhado o chão e o sujado de lama. Os joelhos do garoto estavam amarronzados, mas ele não se importou. Simplesmente levantou-se, deu um passo para trás e observou enquanto o grupo contratado pela funerária fechava o caixão e o levava até o furgão. Para eles era apenas negócios, mais uma morte, mais uma cova comprada, mais lucro para o dono do lugar. A dor era o que lhes dava lucro, e eles não pareciam se importar com isso. Tinham o respeito que todo vivo deve a um morto, mas conversavam baixinho entre si, contando uma anedota ou outra e rindo resignadamente, sem abrir a boca ou mostrar os dentes.

Levaram o caixão até o local. O furgão não passava dos dez por hora, seguindo no mesmo ritmo lento da dor, que parece corroer. Os entes faziam uma procissão atrás do carro, e eu os seguia, mecanicamente. Não sabia realmente o que estava fazendo ali, tomando chuva, provavelmente esperando um resfriado para o dia seguinte, sem verter uma lágrima ou me incomodar com a situação. Apenas o nó na garganta me incomodava, como se fosse a única lembrança de que aquele furgão carregava uma morta que era amada por alguém, mesmo que esse alguém não fosse eu.

O caixão foi içado com lentidão até o fundo da cova. Parecia uma cena de filme. O grand finale. Uma morte que deixa os espectadores com uma sensação de perda, a mesma sensação de perda do personagem principal. Só faltava a música de fundo. Uma música triste, com violinos, violões e uma voz firme que ia se tornando lenta e chorosa ao final, e que acabava com gritos que faziam a espinha gelar e o coração se apertar. Mas não era nada daquilo. Em lugar da música, o silêncio – intercalado pelo choro, pelo canto de alguns pássaros e pelo tum-tum-tum do motor do furgão. O simples silêncio, que doía mais que a música gemida e que a cena dramática de cinema. Era a realidade, e ela se mostrava cruel.

Não sei por que me dei ao trabalho de escrever isso; não agora, tanto tempo depois de tudo isso ter acontecido. Enquanto escrevo essas palavras, parece que a sensação da garganta volta. Aquele nó apertado.

Aquele nó que me faz perceber porque me importo. Aquele nó que me faz perceber que sou humano.

———————————-

h1

Feliz Ano Novo!

01/01/2009

Título auto-explicativo (que agora nem sei se tem hífen ou não. Maldita reforma ortográfica). O resto do blábláblá vocês já sabem, então não vou ficar repetindo. Muitos livros, filmes, músicas, amores, dores de cotovelo e inutilidades como essa no ano que acabou de chegar. É isso aí: até 2010!

h1

Dica de Leitura: O Amuleto de Samarkand – Jonathan Stroud

31/12/2008

Venho hoje para dar a dica de um livro surpreendentemente bom. No momento em que vi a sinopse, fiquei um pouco receoso – são poucos os livros de fantasia que realmente me chamam a atenção e que não caem nos velhos clichês tolkenianos – mas, assim que comecei a lê-lo, percebi que tinha em minhas mãos uma preciosidade. Trata-se do primeiro livro da Trilogia Bartimaeus (não se preocupe, o fato dos livros comporem uma trilogia não afetam em nada sua originalidade). Ainda estou finalizando a leitura do primeiro, que se mostrou completamente agradável em todo o seu andamento.

No primeiro livro, “O Amuleto de Samarkand”, somos, logo a princípio, apresentados aos nossos personagens principais: o jovem Nathaniel, um aprendiz de mago, e o demônio por ele evocado, Bartimaeus. O livro intercala passagens em primeira pessoa – onde Bartimaeus narra os acontecimentos – e terceira pessoa, tornando a dinâmica descritiva ainda mais rica. Mas voltemos à sinopse: após evocar o demônio, Nathaniel ordena que ele vá até a casa de um mago chamado Simon Lovelace e lhe roube o amuleto de Samarkand. Tudo bem, até aí nada de difícil. Mas o que Nathaniel não sabe é que, por trás desse amuleto, há uma série de acontecimentos no mínimo estranhos, envolvendo a alta cúpula dos magos e do próprio governo da Inglaterra.

A partir daí, somos apresentados a um mundo completamente novo, onde magos e comuns vivem em paz e onde demônios – ou djinni, como preferem ser chamados – são a fonte de poder de qualquer feiticeiro. Onde revelar seu nome verdadeiro pode ser fatal e onde uma vírgula pode fazer com que uma ordem seja desastrosa. É assim que Jonathan Stroud pinta essa nova Londres, de uma forma apaixonante e maravilhosamente cativante. Bartimaeus, o demônio principal de toda a história, é talvez o personagem melhor construído dentro da trama. Seus comentários sempre ácidos – em formato de notas de rodapé – dão o tom de graça essencial e primordial a narrativa.

Os outros livros, “O Olho do Golem” e “O Portão de Ptolomeu” também já foram lançados nos EUA. No Brasil, se não me engano, apenas “O Amuleto de Samarkand” e “O Olho do Golem” foram publicados, ambos pela editora José Olympio.

O Amuleto de Samarkand (Ed. José Olympio)

O Amuleto de Samarkand (Ed. José Olympio)

h1

As Pequenas Coisas

22/12/2008

JÁ FAZIA QUASE DOIS ANOS que nós namorávamos, e eu nunca fui do tipo muito atenciosa. É claro que havia nossos carinhos particulares, nossos apelidos, nossas brincadeiras na cama e nossas sempre bem vindas risadas naqueles filmes de terror B que adorávamos e sempre víamos abraçadas. Os olhos saltitantes e as vísceras absurdamente mal feitas eram nossa diversão das noites de fim de semana. Mas não passava disso: não havia nada além daquelas risadas e daquelas noites boas de sexo. Não sobrava tempo para nos conhecermos melhor. Era sempre aquela rotina de filmes, risadas, sexo e silêncio.

– Quem é você? – perguntei uma vez, quebrando o silêncio. Estávamos deitadas na cama, uma ao lado da outra, de mãos dadas e dedos entrelaçados. Não fazia ideia se ela estava acordada ou não, mas resolvi arriscar minhas chances. Eu tinha meus olhos abertos. Lembro-me que via sombras no teto, e brincava de achar formas nelas: vi o perfil de um homem narigudo e um cão atrás de um graveto.

– O quê? – ela perguntou, talvez por ter acabado de acordar, talvez por não ter entendido a pergunta, ou talvez para se certificar de que ouvira direito.

– Quem é você? – perguntei novamente, dessa vez mais alto, enfatizando a pergunta. – Sabe, eu te conheço há quanto tempo?, dois anos, não é?, e parece que ainda não sei quem você é. Você nunca me apresentou aos seus pais ou a algum parente. É tudo tão estranho…

– É melhor continuar assim, acredite em mim – ela respondeu, pegando um cigarro do criado mudo e acendendo-o. – Quando você descobrir que meu pai é um filho da puta preconceituoso e minha mãe é uma vadia acéfala que ouve apenas o que o marido tem a dizer sobre como as lésbicas vão povoar o inferno no fim dos tempos, você não ficará tão animada assim para conhecê-los.

– É tão ruim assim?

– Você nem imagina o quanto… – ela respondeu. – Eu não gosto muito de falar sobre meu passado. Sabe, é uma coisa tão inútil… aquilo tudo já passou, e não há nenhum motivo para relembrar todos os momentos, bons ou ruins. Eu, particularmente, prefiro olhar para frente e me preocupar com o que está por vir.

– Você tem razão… – tentei mentir, fingindo a mim mesma que o passado não importava. – É só que… sabe, eu ia adorar saber o que você gosta, poder te agradar sempre que eu puder com essas pequenas coisas.

– Sabe o que me conquistou em você, de verdade? – ela perguntou, dando a última tragada no cigarro antes de apagá-lo no cinzeiro. – Foi naquele mesmo dia que nos conhecemos, quando você me carregou pra sua casa…

– Ah, como eu posso esquecer? Você vomitou meu carro todo…

Ela riu.

– E eu nem te conhecia. – eu disse, vendo agora a esquadrilha da fumaça desenhar um arco-íris nas sombras. – Então foi naquele dia que você se apaixonou por mim?

– Não por você, a princípio.

– Pelo que, então?

– Pela sua cozinha.

Ela finalmente havia aguçado minha curiosidade.

– Como? – dessa vez eu perguntei, talvez para ter certeza de que tinha ouvido bem, ou para ver se tinha entendido a resposta corretamente.

– Ué, pela sua cozinha! Você já viu como ela é? Cheia daqueles azulejos vermelhos por toda a parede, aquela bancada de vidro, aqueles armários imaculadamente limpos e todo aquele ar de filmes B. Todo aquele vermelho me hipnotizou.

– Hm, agora sim, mocinha misteriosa, até que enfim alguma coisa. Então quer dizer que gosta de vermelho?

– O que, você acha que eu vejo todas aquelas bostas de filme por quê? Por causa da atuação dos protagonistas?

Depois voltamos à rotina do silêncio, e eu já não prestava mais atenção às sombras no teto. Agora tinha uma informação valiosa rondando meus pensamentos. Ainda não sabia o que faria com ela, mas sabia que não deixaria aquilo passar despercebido.

DESCOBRI A UTILIDADE DO VERMELHO quando passava em uma banca de jornais a caminho do trabalho. Sabe esse tipo de coincidência boba, que sempre acontece naquelas horas em que menos esperamos mas que, ao mesmo tempo, torcemos para que aconteça? Foi mais ou menos isso que ocorreu no momento em que virei o rosto e encarei um belíssimo livro de receitas exposto naquela armação giratória de ferro. Peguei-o, animada com a capa: uma foto de alguma coisa fumegante e suculenta; parecia uma grande e deliciosa sopa, com pedaços de carne e uma quantidade absurdamente alta de tomates. Tudo vermelho como sangue, exatamente da mesma cor dos meus azulejos da cozinha. Abri o livro, curiosa com seu conteúdo, e passei diretamente para a página que continha a receita que estampava a capa do livro. Tomates, pimentões vermelhos, tomates cereja, carne vermelha, pimenta dedo-de-moça, muito colorau e alguma coisa de sal e orégano. Não parecia ser uma receita lá muito complicada. Perfeita para uma noite de sexta-feira; perfeita para ser preparada por uma mulher completamente inexperiente na cozinha, mas que sabia seguir receitas com toda a atenção, dedicação e cuidado; perfeita para satisfazer uma mulher amante do vermelho.

Paguei o livro e saí abraçada a ele, assobiando alguma coisa dos Beatles enquanto andava pelas ruas desertas do início da manhã.

ESTAVA TUDO PRONTO, APENAS ESPERANDO pela chegada dela. Na bancada da cozinha, contrastando com os azulejos da parede, deixei um grande pedaço de carne cortada ao comprido, rodeado pelas leguminosas e pelo colorau, tudo arrumado milimetricamente para parecer a bagunça mais bonita da face da Terra. Estava maravilhoso, não podia deixar de admitir para mim mesma enquanto olhava minha obra de arte. Minhas unhas eram tão vermelhas quanto o conteúdo da panela que fumegava em fogo brando. Não havia nada ali que pudesse tornar aquela noite um desastre.

Quando a campainha tocou, nem mesmo fiquei nervosa. Sabia que tudo daria certo.

– Você não sabe como foi meu dia hoje! – ela começou tagarelando, jogando o casaco e a mochila em um canto. Deu-me um selinho, e continuou com seu monólogo. – O desgraçado do RH me veio hoje com uma conversa completamente absurda sobre nossos controles de custo. Ficou meia hora falando no meu ouvido como temos gastos supérfluos e blá blá blá, que deveríamos dar o exemplo, já que somos os chefes, e não deveríamos mais gastar dinheiro da empresa com lanches e todas essas baboseiras e…

Então parou, como se finalmente alguma coisa tivesse chamado-lhe a atenção.

– Que cheiro é esse? – perguntou, inspirando mais profundamente.

– Ah, é uma coisa que eu fiz pra nós… – respondi, dando um sorriso. – Uma comidinha especial.

Percebi que sua expressão mudou completamente, assim mesmo, da água para o vinho. Pareceu uma pessoa diferente: os olhos pareceram mais perspicazes e a expressão mais libidinosa, como se tivesse completa certeza sobre como aquela noite iria terminar.

– Você está… linda. – ela comentou, olhando-me dos pés a cabeça, vislumbrando meu vestido vermelho. – Está… deslumbrante.

– Sua cor preferida, não? – perguntei, dando uma volta. – Sabe, quero que hoje seja uma noite especial. Depois de ontem, acho que tenho certeza sobre tudo que sinto por você. E quero que agora seja pra valer.

– É um… pedido? – ela se levantou, um pouco incrédula. – …de casamento?

– Já que vamos fazer isso, que tal fazer do jeito certo? – perguntei, sorrindo. – Vamos, venha até a cozinha. Venha ver o que preparei para você.

Ela viu a comida e sentiu o cheiro; sentiu-se inebriada. E eu me sentei em uma cadeira de costas para a bancada organizadamente desorganizada, sorrindo.

E então aquilo aconteceu. Como uma desculpa para acabar com toda a alegria ou para tornar minha bela história uma tragédia sem precedentes. O projétil partiu como uma flecha, vermelho incandescente, para se depositar em meu peito. Nunca soube da onde veio e nem porque veio. Só lembro de ouvir a voz dela perguntando se tudo estava bem logo após o estampido. Veio até mim, correndo, o rosto franzido – via o seu rosto como num vidro translúcido, embaçado e disforme – perguntando o que havia acontecido. Não percebeu o sangue a princípio, pois, ao misturar-se ao tecido do vestido, pareceu apenas uma sombra. No entanto, assim que começou a verter por entre meus dedos e pingar naquele suculento pedaço de carne, ela pode gritar, desesperada, e chamar por ajuda. Ouviu outros estampidos, mas não se preocupou em abaixar-se ou salvar a si mesma, não comigo naquele estado, não depois daquele belíssimo pedido, não depois de todo aquele amor declamado tão pura e simplesmente.

Morri nos braços dela, sem nunca saber o que aconteceu. Inesperado, esse meu fim, como o de qualquer um perdido em meio a essa incessante guerra urbana. Além de inesperado, ouso dizer que foi idiota. Uma vida perdida por uma cápsula com não mais de cem gramas. Uma vida de amor desperdiçada em prol de uma guerra da qual não fazia parte, e da qual não queria nem ao menos ter notícias.

No fim, mais uma morte para se contar nas estatísticas, perdida e chorada apenas pelos parentes e por aquele amor. Um final indigno dos filmes B, sem tripas nem gritos, sem muita dor nem desespero. Apenas um fim. Uma explosão, um pouco de sangue, um par de olhos opacos e um amor a me abraçar o corpo frio, numa tentativa desesperada e inútil de reanimar-me. Tão efêmera, essa tal de vida. Como pode demorar nove meses para estar pronta e acabar assim, de sopro, em menos de cinco minutos? Isso é um daqueles mistérios que nem mesmo os mais proféticos dos profetas sabe responder. Quem dirá eu, uma simples mulher com um fim indigno de uma boa história.

h1

Dica de clipe: Muse – Invincible

19/12/2008

Esse clipe daí não é novo – acho que é do ano passado, para ser mais exato – mas hoje foi a primeira vez que eu o vi. E achei sensacional! O clipe é muito bonito em todos os aspectos, tanto na música quanto nas imagens. Os integrantes da banda navegam em um tipo de barco daqueles de parques de diversões. Dentro do túnel, eles começam a viajar pela história da humanidade contada através de bonequinhos de Playmobil. É, parece ser meio maluco, mas vale a pena. Assistam!

h1

Melhores CD’s 2008

18/12/2008

E 2008 está no fim, mas não quer dizer que foi um ano como outro qualquer. Na verdade, nunca é igual, nós é que somos chatos demais para admitir que as mudanças estão aí. Mas não estou aqui pra falar de mudanças ou de ano novo. Vim aqui falar de música. Isso mesmo, música! O que seria de nós, pobres e entediantes mortais, sem música? Aqui vão os álbuns que, a meu ver, foram os melhores que ouvi lançados em 2008. Sei que há inúmeros outros, mas não posso dizer nada sobre os que não ouvi.


The Ting Tings – We Started Nothing

Surpreendentemente dançante, cheio de batidas eletrônicas viciantes e com refrões chicletes que vez ou outra eu me pego cantarolando, esse CD foi, sem dúvidas, uma das grandes revelações do ano de 2008. A banda, formada por uma dupla (Katie Whites e Jules De Martino), surpreende nesse CD com as batidas e as melodias. Quanto às letras, essas não dizem nada com nada, e até hoje eu não consegui interpretar nem uma sequer.



Slipknot – All Hope Is Gone

Não posso dizer que sou o maior fã de metal desse planeta – na verdade, faz tempo que não parava para ouvir nada do estilo. Ouvi esse CD do Slipknot como num gesto saudosista. Como muitos, tive uma fase metaleira-obscura, que não durou muito, mas que foi suficiente para conhecer grandes bandas. Hoje, apesar de não ouvi-las mais, continuo admirando o trabalho delas. E o Slipknot é uma dessas bandas. Quando peguei o disco para ouvir, fui sem nenhuma esperança de gostar; a primeira música (.execute.) não dizia muita coisa, e a segunda (“Gematria”) foi um pouco agressiva aos meus ouvidos desacostumados ao metal. Mas, a medida que o disco progredia, percebi que o trabalho da banda também progrediu. Músicas como a própria “Gematria”, “Psycosocial” e “Butcher’s Hook” fazem lembrar o Slipknot das antigas, com solos pesados e a voz – surpreendentemente boa – de Corey Taylor. Já músicas como “Dead Memories”, “Snuff” e “Child Of Burning Time” fazem a gente ver que, apesar de soar diferente das outras músicas, elas não perdem a identidade.

Alguns criticaram o disco, dizendo ser comercial demais. Afinal, se não for comercial, como vender? Acho que esse disco está muito bem dosado: bom para aqueles curiosos que não conhecem o trabalho da banda, e bom também para os fãs das antigas. Enfim, Slipknot para todos os gostos.


Secondhand Serenade – A Twist In My Story

Essa one-man band não é muito conhecida do grande público, mas é uma das minhas preferidas no estilo ‘melancholic and acoustic’. O primeiro CD, “Awake”, completamente acústico, mostrou um trabalho seco e emocionante de John Vesely, e logo se tornou um sucesso entre os que ouviam. Foi um trabalho, ao meu ver, despretensioso, posso dizer até mesmo mal-acabado, no sentido de pouca produção e propaganda. Mas então chegou 2008, e todos ansiosos pelo disco novo, se perguntando se seria tão bom quando o anterior. E quando ele chega, bela surpresa!, sim, é ótimo. Visivelmente mais produzido que o antecessor, “A Twist In My Story” tem uma pegada muito menos acústica que o primeiro, sem, contudo, deixar de lado a sonoridade característica. Há algumas releituras de músicas antigas (“Maybe”, “Your Call” e “Stay Close, Don’t Go”), mas a maioria do CD é de inéditas. É daqueles discos para ouvir de olhos fechados, pensando na vida e delirando nos vocais do Vesely.


Pink – Funhouse

Pink é uma das cantoras mais divertidas que eu conheço. Seus clipes são sempre muito satíricos e suas letras são sempre recheadas de ironia e muito bom humor. E com “Funhouse” não podia ser diferente. Logo na primeira música, “So What”, nos vemos frente a frente com mais mais um daqueles singles divertidíssimos que só ela sabe fazer. Mas, em contrapartida, temos músicas muito bonitas e ouso dizer até mesmo menos superficiais. É o caso de “Sober”, “Crystal Ball” e “Please Don’t Leave Me”. Apesar de engraçada, Pink sabe cantar como gente grande. Ela já deixou bem claro que pode ser uma cantora acima das expectativas com o single “Dear Mr. President”, do seu antecessor “I’m Not Dead”. E com esse CD ela só prova o que todo mundo já sabia.


O Teatro Mágico – Segundo Ato

o-teatro-magico-segundo-ato

Tenho que confessar uma coisa: não via a hora desse CD sair. Conheço o Teatro Mágico há pouco tempo, mas foi tempo suficiente para me apaixonar pela voz do Fernando Anitelli e por suas composições, por vezes confusas, mas sempre com uma mensagem legal. E quando o “Segundo Ato” chegou, fui às presas baixar as músicas na Trama Virtual. O CD começa como o primeiro, com toda aquela atmosfera circense característica da trupe, e vai evoluindo com uma grande facilidade. Nesse CD, Fernando Anitelli explora as mazelas da sociedade (com os excelentes “Cidadão de Papelão” e “Xanéu Nº 5”), mistura ritmos (quem iria imaginar que eles cantariam sambagode em “Eu Não Sou Chico Mas Quero Tentar”?), fala de sentimentos (“Pena” e “O Sonho de Uma Flauta”) e versa sobre insetos (“Os Insetos Interiores”). Enfim, só ouvindo para saber.


Katy Perry – One Of The Boys

Katy Perry não é para ser levada a sério. Pelo menos foi isso o que pensei quando ouvi “I Kissed A Girl”. Acho que muita gente pensou assim quando ouviu essa música. Mas, quando baixei o CD, me surpreendi com a voz dela. Não só com a voz, mas com as músicas em si, com letras despretensiosas e ritmos bastante divertidos. É verdade que a primeira música do disco (“One Of The Boys”) não é lá a mais adequada para se colocar logo no início. Ela não é simpática, e pode até mesmo afastar os menos pacientes. Mas músicas como as divertidíssimas “Ur So Gay”, “Hot ‘n Cold” e “Waking Up In Vegas” são o que transformam o CD numa experiência agradável. Músicas que exploram mais a voz da Katy são os verdadeiros destaques, ao menos para mim. São elas “Thinking Of You”, “Lost” e “Self Inflicted”. Ouçam!


Eli “Paperboy” Reed & The True Loves – Roll With You

E que grande surpresa foi essa! Eli Reed não deve ser conhecido por praticamente ninguém, é verdade, mas esse cara é do caralho! Sem sacanagem nenhuma, esse foi um dos discos que mais me impressionaram esse ano. A voz de Reed é sensacional, e ele deixa bem claro em músicas como “Am I Wasting My Time?” e “(Doin’ The) Boom Boom”. Pra quem não o conhece, digo que vale 100% a pena procurar ao menos uma música dele. De resto, deixo com o próprio Reed. O jazz/soul e a voz dele conquistam a primeira vista. Ou primeira audição, fale como bem entender.


Duffy – Rockferry

De início, você vai pensar: nós já temos Amy Winehouse! Não precisamos de uma loira genérica com nome de cerveja dos Simpsons! É, eu pensei mais ou menos assim quando descobri que “Mercy” não era uma b-side da Amy Winehouse e que a música era cantada por uma mulher chamada Duffy. Mas curioso que sou, resolvi ouvir o disco. As músicas ficaram mofando no meu computador, e eu ouvindo só “Mercy”. Então decidi ouvir a todas as músicas. E pronto: naquele momento, fiquei convencido de que não havia gostado nem um pouco do CD. Mas como assim?! Então por que você está aqui destacando-a como um dos discos preferidos do ano? Pois é, ele é um dos meus discos preferidos do ano. Com a Duffy foi assim: não daqueles amores platônicos a primeira vista. Ela veio comendo as beiradas e me conquistou aos poucos, sabe? Então ouvi o disco uma, duas, três vezes, e então descobri que as músicas eram realmente boas! O disco é um pouco maçante – tem uma excessividade de músicas lentas e poucos ritmos como os de “Mercy” – mas a mulher tem seus méritos. A voz dela em músicas como “Rockferry”, “Warwick Avenue” e “I’m Scared” dão arrepios e fazem a gente viajar pelas ondas sonoras. Mas com certeza “Mercy” é a mais simpática e cativante do CD.


Coldplay – Viva La Vida

Não gosto do Coldplay; e adoro o Coldplay. Sim, tenho uma interminável relação de amor e ódio com essa banda. Nunca iria em um show deles. Não gosto das atitudes e das colocações do Chris Martin, acho ele um arrogante de meia tigela. Mas tenho que admitir que o Viva La Vida é uma das grandes sensações do ano. A sonoridade do CD é perfeita em vários aspectos, e a voz dele está boa como nunca. Não é a toa que “Viva La Vida” é uma das faixas mais ouvidas do ano. Ela tem uma melodia muito bem colocada, uma letra legal e um refrão bem chicletinho (apesar do inevitável embromation em algumas frases). Outras faixas que me chamam a atenção são “Violet Hill”, “Lost!”, “Cemeteries Of London” e “42”. Um disco meio sem pé nem cabeça, é bem certo dizer (uma banda inglesa, título em espanhol, capa inspirada em Revolução Francesa), mas ainda assim muito legal.


Cansei de Ser Sexy – Donkey

Com todo o sucesso estrondoso no exterior, o Cansei de Ser Sexy (ou CSS, para os íntimos) mais uma vez nos brinda com um disco muito dançante e divertido. Ele é visivelmente inferior ao seu antecessor, mas ainda assim tem seus méritos. Faixas, como sempre, com letras um tanto quando, er…, excêntricas, e batidas extremamente contagiantes, o disco é parecido com o ‘Ting Tings’ no que diz respeito às letras das quais não consigo interpretar e à musicalidade divertida. A primeira faixa “Jager Yoda” (o que diabos é Jaguer Yoda, por falar nisso?) abre o CD com chave de ouro, e outras, como “Rat Is Dead (Rage)”, “Let’s Reggae All Night” e “Beautiful Song” mostram porque ele deve ser ouvido, mesmo que não seja compreendido.


Alice Cooper – Along Came A Spider

Sempre tive medo do Alice Cooper. Sei lá, ele tem cara de tiozão louco e macabro, e nunca me dei ao trabalho de ouvir nenhum disco dele (na verdade, a única música que ouvi dele foi “School’s Out”, e ainda assim por causa do Guitar Hero III), mas eis que vejo uma crítica elogiando com muita ênfase o disco novo dele. Resolvi tirar minhas próprias conclusões. E não é que o tal crítico estava certo?! O CD, conceitual, conta a história de Spider, um serial killer. É, um tema soturno, como todos os do Cooper, mas isso não torna o CD menos prestigiado. As letras são muito boas e os arranjos são crus e bem produzidos, tirando que a voz dele está ótima. Pra quem lança o 25º disco, isso é um grande mérito. Não ouvi nenhum outro disco do Alice Cooper, então não posso compará-lo com os outros. Mas posso falar que esse é um dos melhores do ano, sem sombras de dúvida. As guitarras de “Prologue/I Know Who You Are” são belíssimas; o refrão de “Catch Me If You Can” é completamente viciante. Não vou citar destaques, porque esse é um daqueles CD’s onde todas as músicas, sem exceção, são ótimas.

—-

E que venha 2009!

h1

E no início…

16/12/2008

…curvo-me diante de todos para apresentar-me devidamente, como deve ser feito. Não sou diferente de você: talvez possa até ser em alguns aspectos – mais físicos do que mentais, é certo comentar -, mas nada do que faço ou penso me difere de outros. É claro que todos têm seus próprios pensamentos e desejos, não nego isso; o que quero dizer é que não há nenhum motivo especial para que você esteja aqui, além, é claro, de curiosidade e uma pitada de paciência para ler isso. Mas peraí? Então o ilustríssimo dono desse blog está assim, expulsando visitantes, logo no primeiro post? Não, não estou. Quero, certamente, que você seja bem-vindo. Pegue uma xícara de café ou chá – ou, em questões de calor, um copo de suco também não é uma má pedida – e se deixe levar por palavras de um desconhecido, uma pessoa normal e sem privilégios de celebridade.

Por ora, não tenho nada mais a dizer. Com o tempo, colocarei aqui uns pedaços de mim em forma de palavras. Minhas opiniões e minhas visões desse mundo maluco onde por acaso vim parar.  Vamos juntos. Permita-se viajar!